Rio Branco, Acre,





Presidente da Aleac diz que quer ser lembrado como um pacificador e que vai para a reeleição


Deputado em segundo mandato, parlamentar fala de sua relação com o cunhado Gladson Cameli e de suas expectativas em futuras votações

TIÃO MAIA, DO CONTILNET

Aos 34 anos de idade, o bacharel em Direito Nicolau Júnior, natural de Cruzeiro do Sul, é deputado estadual (Progressistas) em segundo mandato, presidente da Assembleia Legislativa e nesta condição já assumiu o governo do Estado pela quinta vez em cinco meses, como ocorreu nesta quinta-feira (16) em que o vice-governador Wherles Rocha está em viagem oficial ao Estado de Rondônia e o governador Gladson Cameli acompanhava a comitiva presidencial de Jair Bolsonaro em viagem a Dallas, nos Estados Unidos. É, portanto, o governador mais jovem da história do Acre, mas ele próprio diz que não quer ser lembrado apenas por isso.

Acha que poderia ser lembrado por seu perfil pacificador e pela boa relação com os funcionários da Assembleia e com o demais deputados, tanto com os da base governista como os de oposição, mas também por sua firme disposição de ajudar ao governador titular, que vem a ser seu cunhado, a colocar o Acre nos trilhos do desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida dos acreanos. Como presidente da Casa, ele acha que a mesa diretora pode ajudar muito ao Governo nas votações de interesse da população e do próprio Acre.

Aos 34 anos, Nicolau Junior é deputado em segundo mandato, presidente da Aleac e já assumiu o governo do estado por cinco vezes/Foto: ContilNet

Sobre o futuro, ele diz que ainda não pensa, mas deixa escapar que, se não houver contratempo, como político, sonha com voos mais altos, inclusive o Governo do Acre, pelo voto popular. “Mas estou pensando em fazer um bom segundo mandato e talvez pensar num terceiro”, disse, sobre o futuro.

A seguir, os principais trechos de uma entrevista concedida ao ContilNet, em seu gabinete, na Assembleia Legislativa, como governador em exercício, nesta sexta-feira (17):

Presidente, na quinta vez que o senhor assume o governo do estado interinamente, eu pergunto: qual é a sensação disso, para um jovem como o senhor, vindo do interior e que por certo nunca imaginou essa situação? Como o senhor recebe isso e o que diria para jovens como o senhor que hoje nem pensam nisso mas que um dia também podem vir a conquistar esta posição?

Nicolau Júnior – Não posso negar que, pessoalmente, é uma satisfação muito grande porque, aos 34 anos de idade, consegui esse feito de ser presidente da Assembleia do meu Estado e assim já fui governador em várias vezes. O que eu posso dizer à opinião pública, principalmente à juventude, é que todos têm que sonhar e lutar, em busca de seus objetivos como eu busquei os meus. Já estou no segundo mandato de deputado estadual e já cheguei, como você lembrou, ao Governo do Estado algumas vezes, algo que muitas vezes me deixa muito ansioso porque a gente, nesta condição, quer ver as coisas acontecerem e temos que esbarrar muitas vezes na burocracia, nas coisas que têm que ser feitas dentro da lei.

Nicolau: “Meu sonho era seguir os passos do meu pai”

Quando o senhor era jovem, mais jovem ainda, em algum momento passou por sua cabeça, a possibilidade de um dia entrar para a política, disputar mandatos eletivos e galgar o exercício dos cargos mais importantes do Estado?

Confesso que isso nunca passou pela minha cabeça. Meu sonho era seguir os passos do meu pai, que é empresário, ou ser advogado. Para isso, me formei em Direito em Manaus. Nunca me imaginei político. Isso foi construído a partir desta relação que eu tenho com o Gladson, que é de família (é irmão da primeira dama Ana Paula Cameli), depois que eu voltei de Manaus, da faculdade e encontrei o meu cunhado já nesta pegada, disputando o primeiro mandato de deputado federal e a gente começou a discutir a possibilidade da minha entrada também para a política, para ajudá-lo. Peguei gosto. Acho que aquilo já estava no sangue e eu é que não sabia, não havia despertado o amor pela política. Mas este é um amor bom, porque a política é algo bom, principalmente a política que a gente está tentando fazer, nova, moderna, sem perseguição e com desenvolvimento.

E em relação ao futuro, o senhor pensa em voltar a disputar mandatos, a buscar voos mais altos além do que o senhor já conseguiu? O senhor pensa em chegar ao Governo pelo voto popular, por exemplo?

Olha, o futuro é uma coisa muito incerta e eu não penso muito nisso. O que eu penso é em fazer um bom mandato de deputado estadual e posso até concorrer novamente a um novo mandato. É isso que hoje está posto na minha cabeça. Não tenho nenhuma expectativa maior que isso, até pela questão da experiência. Acho que devemos fazer as coisas no tempo certo, devagar, porque é muita responsabilidade a vida pública. Se houver experiência e oportunidade, claro que estarei pronto porque estou passando por uma boa escola. Mas isso tem que ser feito com muita responsabilidade. Eu imagino a responsabilidade do Gladson como governador, que tem um Estado em sus mãos que, apesar das dificuldades, tem que dar certo.

O fato de o senhor ser cunhado do governador, da sua família, parente direto, isso ajuda ou atrapalha?

As coisas funcionam assim: da mesma forma que eu respeito o Gladson como governador, institucionalmente, ele também me respeita como presidente da Assembleia. A gente não mistura e não deixa confundir essa relação de família. Aqui eu sou o presidente e quero o total respeito como respeito os demais poderes, incluindo o Executivo. É claro que, quando a gente está fora do trabalho, quando estamos em casa, nos tratamos como família, em confraternização.

Esta proposta de reforma da reforma, como diz a oposição, a ser votada aqui na Assembleia na semana que vem, vai passar?

Na verdade, o nome certo é o ajuste da primeira reforma. No primeiro momento foram feitos os ajustes necessários, e estou certo de que passa sim. Estamos trabalhando para que, na próxima terça-feira, já possa passar.

Com quantos votos?

Com uma quantidade boa e necessária. Não vou falar de números, mas creio que passe porque estamos conversando inclusive com setores da oposição, que entendem a necessidade de ajustes e da necessidade de criação desses cargos, que serão utilizados tecnicamente para podermos ajudar as secretarias não só na Capital como também no interior, que está muito defasado, para que o governador possa colocar a máquina para funcionar e executar seu trabalho.

A criação desses novos cargos não são uma contradição, na sua avaliação, em relação ao discurso do governador de que o Estado está financeiramente quebrado e que pode inclusive vir a decretar estado de calamidade?

Na verdade, o Brasil inteiro vive um momento de crise. É claro que a criação desses novos cargos vai impactar na folha de pagamento. Mas eu acredito que isto é uma necessidade do governo para funcionar porque, além disso, para dizer a verdade, a gente tem que fazer também a parte política, que é a necessidade de atender aos partidos que ajudaram e que têm que colocar no poder as pessoas. Cada um tem um grupo cujas pessoas precisam também de oportunidades. Então, é assim: o governo tem que olhar a parte técnica e a parte política. Esses dois aspectos têm que caminhar juntos.

O senhor acha que, pelas dificuldades enfrentadas até aqui, o governador conseguirá colocar em prática aquilo que os senhores prometeram e desenharam na campanha eleitoral que os trouxe ao governo?

Eu acredito muito. Sei que o Gladson está passando por muitos momentos difíceis porque pegou um Estado com uma dificuldade financeira muito grande, mas estamos vendo que ele está buscando parcerias. Ele tem conversado muito com ministros e com o próprio presidente da República, procurando resolver, por exemplo, a questão das nossas dívidas que ficaram em financiamentos de diversos bancos. São vários contratos, com várias dívidas. São mais de R$ 3 bilhões. Ele pegar tudo isso e levar para um único banco e, com isso, conseguir diminuir os juros e dilatar prazos para que o Estado comece a pagar essas dívidas. Com isso, o Estado vai poder arrecadar mais e assim ter um pouco mais de dinheiro em caixa para poder fazer aquilo que a gente sonhou e prometeu em campanha.

Eu acredito muito. Sei que o Gladson está passando por muitos momentos difíceis porque pegou um Estado com uma dificuldade financeira muito grande, mas estamos vendo que ele está buscando parcerias. Ele tem conversado muito com ministros e com o próprio presidente da República, procurando resolver, por exemplo, a questão das nossas dívidas que ficaram em financiamentos de diversos bancos.

Pela primeira vez, ao que parece, desde que o Estado voltou ao sistema democrático, a proposta de LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) está chegando aqui à Assembleia num período diferente. Antes, chegava às vésperas da votação e muitos deputados chegaram a denunciar que muitas vezes votaram a favor sem saber nem mesmo no que estava votando, por causa da pressa. Agora, isso mudou. O que aconteceu?

Isso demonstra que o governador Gladson Cameli respeita a Assembleia enquanto Poder. Ele quer fazer um governo transparente e por isso a LDO chegou antecipada. Teremos aí pelo menos três meses para discutir e ver o que gente, como deputados, pode melhorar com as nossas emendas. Tenho certeza de que os outros poderes – Tribunal de Justiça, Ministério Público, etc – querem estar nesta discussão e que querem ajudar a construir uma LDO que ajude o nosso Estado. Queremos uma LDO semelhante à de Rondônia, para ver em que a gente pode trazer de bom de lá para ajudar alguns setores, como o do Agronegócio, que foi uma bandeira da campanha. Acho que isso é um meio de se formar parceria, com todo mundo unido para fechar essas contas.

E como é ser presidente da Assembleia? O senhor está conseguindo encaminhar aquilo que se propôs, com os servidores e com os deputados?

A Assembleia é um órgão público e tem que funcionar como tal. A gente, que vem da iniciativa privada, sente alguma diferença. Mas as coisas estão caminhando. Conseguimos montar uma equipe muito boa e que está correndo para fazer algumas mudanças e que vai nos permitir organizar ainda mais a Casa. Eu me dou muito bem com os funcionários e tenho conversado muito também com o Sindicato da categoria e a relação com os deputados está bem redonda, porque a gente se respeita muito. E tenta se ajudar. Enquanto presidente, tento dar todo o apoio para que o deputado faça seu trabalho de forma adequada.

Qual é a contribuição que a Assembleia pode dar, efetivamente, para este projeto de reconstrução do Acre, de implantação do agronegócio e de fazer com que a economia do Estado possa voltar a rodar?

Todas as propostas de mudanças do Executivo, vão passar por aqui, por nós, deputados. Sei que precisamos analisar e estudar profundamente esta carga tributária, para ver em que poderemos ajudar o Estado, em que a gente pode diminuir e onde pode haver algum erro no meio de isso tudo. Então é assim: a Assembleia terá um papel fundamental porque todas as matérias do Executivo vêm para cá e a gente tem que agir com responsabilidade e seriedade. Temos que aprovar as coisas de forma rápida. Um exemplo são as leis ambientais que, para a implantação do Agronegócio, a gente tem que analisar as nossas leis estaduais. Eu acredito que a Assembleia será protagonista deste novo momento, mas isso só será possível se mantida essa boa relação com o Executivo e o Executivo agindo de forma organizada, enviando matérias redondas para que a gente possa dar respostas rápidas.

A Assembleia, sob sua administração, vai realizar atividades no interior do Estado, as chamadas sessões itinerantes, como havia no passado?

Na verdade, já fizemos algumas audiências públicas e por enquanto estamos focados no que vamos fazer em relação à CPI da Energisa, que é uma coisa que a população cobrou muito por causa do preço da energia?

Essa CPI vai resultar em alguma coisa? Porque, em mais de 35 anos de jornalismo cobrindo a Assembleia, não me lembro de uma CPI aqui que não tenha resultado em pizza, como se diz…

Será a primeira CPI sob nosso comando e estamos dispostos a oferecer total apoio a seu pleno funcionamento porque a gente sabe da importância de esclarecimentos no que diz respeito à energia porque se trata de uma questão que envolve, principalmente, pessoas de baixa renda …

O senhor acha eu vai melhorar alguma coisa para o consumidor, inclusive para este de baixa renda a quem o senhor se referiu?

Eu acredito muito na movimentação que a Assembleia possa fazer e, através disso, tanto os deputados federais, os senadores e órgãos da Justiça e do Ministério Público também possam agir para tentar resolver um problema que é de todos nós. Eu acho que é um assunto de absoluta importância porque de fato estamos pagando uma energia cara e a Assembleia vai fazer sua parte, que é levar a questão para os municípios e levar ao conhecimento das autoridades problemas até aqui não totalmente esclarecidos.

“Brasil inteiro vive um momento de crise”, diz o presidente

Presidente, o fato de o Governo ter sofrido aqui derrotas, como aquela em torno da não aprovação do nome daquela senhora da Agência reguladora dos Serviços Públicos do Acre (Ageacre), por um placar de 22 a 1, não há alguma coisa errada com a base? Há possibilidades de aquilo vir a se repetir?

Eu não acredito nisso. Aquilo foi um erro de falta de conversas. Não creio que essas coisas possam se repetir porque a gente está muito unidos aqui na Casa. Aquilo foi um momento em que faltou, realmente, conversa. A forma que estava sendo conduzida também estava irregular porque as pessoas estavam nomeadas sem o crivo da Assembleia e aquilo estava errado.

Uma pergunta de cunho político: o Progressistas, que é o seu partido e do governador, terá candidaturas próprias em Cruzeiro do Sul e Rio Branco? O senhor fala pelos Progressistas?

Temos o nosso presidente (deputado José Bestene) e o nosso comandante maior, que é o governador. Mas eu posso falar como deputado e creio que nós, a antiga a oposição, só chegamos no governo porque estávamos unidos. Nesta eleição, tanto na Capital como em Cruzeiro do Sul e nos demais municípios, temos que permanecer unidos. Se dividir, fica ruim. A gente só chegou no governo unido e acho que temos que estudar aqui na Capital qual é o melhor nome, seja ele do PP ou não, seja do PSDB, do MDB, acredito que só assim a gente tenha a oportunidade de fazer as prefeituras, tanto aqui como em Cruzeiro do Sul e nos demais municípios. Na eleição passada, a gente tinha um candidato num município, o MDB ou o PSDB tinha outro e isso acabou favorecendo os candidatos do governo na época, que tinha estrutura.

O fato de o líder do Governo na Assembleia hoje ser um dissidente, egresso da Frente Popular do Acre (deputado Luiz Tchê, do PDT), não é ruim para a imagem do governo, que teve que ir buscar num ex-adversário o aliado necessário para ajudá-lo?

Não creio nisso porque o deputado foi convidado para vir ajuda ao governo. O Tchê foi convidado pelo governador. Se ele foi convidado foi porque o governador acredita nele e o deputado tem méritos para isso. O nosso primeiro líder, deputado Gerlen Diniz, meu amigo particular, era um grande líder também. Até falei para ele no dia em que ele foi renunciar à liderança – e eu estava no exercício do Governo – eu ponderei que ele deveria esperar o governador, porque eu achava que eles até poderiam se entender. Eu tinha uma esperança muito grande de que o Gerlen continuaria na liderança. Mas foi uma decisão dele, que a gente respeitou. Mas o fato é que o Gerlen é uma peça fundamental para nós porque é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), é do nosso partido e passou quatro anos defendendo nosso projeto e merece todo o nosso respeito.

Como é sua relação com a oposição? O deputado Edvaldo Magalhães, que é do PC do B, já anunciou que vai votar a favor da reforma proposta pelo Governo na semana que em. Isso já é trabalho seu?

Tanto o deputado Edvaldo, como Jenilson (Leite, do PC do B) como o Zen (Daniel, do PT), que lideram a oposição, a gente tem uma relação boa com eles, de amizade. Eu acho isso que isso ajuda muito para a gente poder conversar, poder mostrar a importância das matérias do governo e eles sabem disso porque, quando havia matérias de interesse do governo no governo passado, mesmo na oposição, eu votei muito a favor. Eu sabia que aquilo era importante para a população e jamais me posicionaria contra. Uma matéria que possa vir a diminuir o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) dessa conta da energia, tem como ser contra? Acredito que uma matéria dessas, se vir, todos vão votar, porque não vejo como ser contra.

O senhor acha então que o governo vai reduzir o ICMS da conta de energia?

Não sei. Estou falando por hipótese. Quem tem que decidir isso é o governo, que é quem pode. O que sei é que a energia elétrica deve ser uma das grandes – se não a maior – fonte de arrecadação do ICMS. Mas se vier, não vejo como os deputados serem contra.

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