Rio Branco, Acre,





No dia de “Tiradentes”, patrono da Polícia Militar, secretário homenageia policiais


Vice Major Rocha e coronel Paulo Cezar dizem que crimes de homicídios foram reduzidos em mais de 25 por cento, mas lembram que ainda não há o que comemorar

TIÃO MAIA, DO CONTILNET

No dia nacionalmente consagrado a Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, por seu sacrifício em defesa da independência do Brasil colônia em relação a Portugal, o secretário de Justiça e Segurança Pública, coronel PM reformado Paulo Cézar Santos, fez publicar, nas redes sociais, um vídeo de homenagem aos policiais militares acreanos. O 21 de abril é também considerado o dia do Policial Militar porque conta a biografia de “Tiradentes” – assim chamado por seu ofício de dentista prático em Minas Gerais –, ele fez parte daquilo que seria o embrião das policiais militares do Brasil, na patente de Alferes, numa época em que as milícias que cuidavam da segurança pública eram pagas por terceiros interessados na proteção de seus bens.

“O Acre ainda continua matando muito, mas estamos vencendo a guerra”, disse o secretário/Foto: Reprodução

A Polícia Militar de todo o país o tem na conta de o primeiro herói genuinamente brasileiro. “É, sem dúvida alguma, o maior herói brasileiro. Seu feito de coragem e amor à Pátria fez com que se destacasse entre todos os outros que tombaram nas revoltas que lutaram pela Independência do Brasil. Pelo fato de ter mostrado grande bravura e exercer sua labuta nas milícias que cuidavam da ordem pública na época do Brasil Colônia, por justiça fora aclamado como Patrono das Polícias Militares do Brasil”, justifica a Polícia Militar ao apontá-lo como seu patrono.

As cenas do vídeo, mostrando policiais fortemente armados e em combate, têm fundo musical do Hino da Polícia Militar do Rio de Janeiro – embora a Polícia Militar do Acre também tenha seu hino próprio. O hino da PMRJ tem uma letra forte, e diz, entre outras coisas, que “Ser policial/ É, sobretudo, uma razão de ser/ É enfrentar a morte / Mostrar-se um forte /No que acontecer…”.

Paulo Cezar Santos disse que mais que prestar uma homenagem aos policiais militares, o sistema de segurança pública do Acre que mostrar à sociedade acreana que está presente no seu cotidiano. Segundo ele, apesar dos registros praticamente diários de matanças de pessoas nos bairros periféricos da cidade por armas de fogo, decorrente da guerra de facções em acertos de contas ou disputas por territórios para a venda de drogas, o sistema de segurança pública vem registrando queda neste tipo de crime. “Estamos diminuindo mas ainda não dar para comemorar. O Acre ainda continua matando muito, mas estamos vencendo a guerra, mas não é hora de comorar ainda”, disse Paulo Cezar Santos.

Major Rocha. vice-governador/Foto: Reprodução

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública mostram que, nos três meses do ano – o mês de abril ainda não entrou na estatísticas -, os índices de homicídios no Estado, em relação ao igual período do ano passado, foram reduzidos, em 25,7%. A redução de crimes de roubos foram da ordem de 23,1% em relação ao mesmo período. “Isso é resultado da realização de mais de duas mil operações em todo o Estado, aquisição de novos equipamentos e de pelo menos 53 novas viaturas e armamentos, de endurecimento no cotidiano dos presídios e monitoramento e rastreamento de combate ao roubo de veículos na capital”, de Paulo Cezar.

A redução dos crimes chamou atenção do vice-governador e governador em exercício do Estado, Wherles Rocha, que é major reformado da Polícia Militar e um especialista em segurança pública. “Parabéns aos servidores da segurança pública. Sei que essa redução não seria possível sem o compromisso e a dedicação desses profissionais. É verdade que ainda temos muito trabalho pela frente, mas a certeza de estarmos no caminho certo é um fator que motiva continuar essa nossa luta. Acredito que em breve estaremos comemorando o retorno da tranquilidade e da paz que um dia tivemos”, disse Rocha.

Ao apontar para o futuro, tanto ele como o coronel Paulo Cezar se referem a futuros investimentos no setor em função da recuperação de R$ 100 milhões de recursos em emendas da bancada federal no Congresso nacional. “Os recursos, de acordo com as duas autoridades, vão começar a ser investidos já a partir do mês de maio. Algumas licitações já estão sendo preparadas”, disse Paulo Cezar.

Uma das primeiras aquisições, segundo o vice Wherles Rocha, deverá ser de 100 novos veículos para servirem como viaturas e de equipamentos na área de comunicação. “Vamos voltar a ter paz no Acre”, anunciou Rocha.

Como foi o movimento que levou Tiradentes ao cadafalso da forca em defesa do Brasil

A história é contada aos brasileiros desde o ensino médio, mas nunca é demais lembra-la. O movimento da Inconfidência Mineira, que pretendia libertar o Brasil de Portugal, na colônia portuguesa, notadamente em Minas Gerais, território de exploração de pedras preciosas enviadas à Coroa, em Lisboa, se fortificou com a Independência dos Estados Unidos da América do Norte, em 1783.

“Tiradentes”, nascido em 17 de novembro de 1746, na fazenda pombal, em Minas Gerais, antes de entrar para a milícia que seria a origem da Polícia Militar, foi mascate, minerador e dentista prático. Mas foi como conspirador, na visão de José Silvério dos Reis, que participava do movimento e que depois delatou todos os conjurados à Coroa portuguesa, que ele se tornou o líder da Revolução que pretendia libertar o Brasil e assim se tornou o primeiro herói de fato do povo brasileiro.

Foi um daqueles indivíduos da espécie humana que põem em espanto a própria natureza/Foto: Reprodução

Conta a história que aos dezoito anos, ele optou pela carreira das armas, alistando-se, em 1º de dezembro de 1775, no posto de Alferes, no Regimento de Dragões de Minas Gerais, equivalente à Polícia Montada dos nossos dias. Serviu nas forças de defesa contra possível invasão espanhola e, no ano de 1780, esteve na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais, como Comandante do Destacamento local encarregado da guarda do registro da porta de entrada do Vale Médio do Rio São Francisco.

Por onde ia, carregava consigo livros sobre a Independência norte-americana e cada vez mais procurava ler tudo que se relacionasse ao assunto e sempre procurava convencer as pessoas sobre as suas ideias. Em Vila Rica, tornou-se o principal articulador da conspiração para a libertação do país. Organizou um grupo do qual faziam parte pessoas de grande projeção na capitania. Era, ao mesmo tempo, um idealista e um espírito prático. Não hesitava em fantasiar os fatos para atingir seus objetivos. Inventou, por exemplo, que o novo governador trazia instruções para que as fortunas particulares em Minas, não ultrapassassem dez mil cruzados. Garantiu a todos o apoio de potências estrangeiras à conjuração.

Em fins de 1788, aconteceu a primeira reunião dos conspiradores na casa do Tenente-Coronel Paula Freire. A ele, se unira o Padre Carlos Correia de Toledo, vigário de São João Del Rei, homem rico e influente, e a conspiração foi crescendo com a participação do Cônego Luiz Vieira da Silva, do Padre Rolim, Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto e outros que no decorrer do tempo se juntaram aos primeiros.

“Tiradentes” teve papel destacado na conspiração e a sua participação foi decisiva. Entregou-se de corpo e alma ao movimento. A Independência do Brasil se tornou o motivo de sua vida, pois radicalizou sua posição a ponto de não se importar com a entrega da própria vida naquela revolução, preparada silenciosamente por homens notáveis. Seu modo de agir contrastava com o dos outros conspiradores, pois falava abertamente sobre a necessidade da revolução e pregava-a em qualquer lugar. Sabia do desejo do povo mineiro, por este motivo não receava em se abrir com quem quer que fosse, assim como não escolhia o momento nem o lugar.

O que “Tiradentes” não esperava é que um dos integrantes do grupo acabasse com o sonho de um país livre. Joaquim Silvério dos Reis, que se fingia ser amigo dos conspiradores e participava das reuniões, delatou o grupo aos representantes da Coroa Portuguesa. Todos os inconfidentes foram presos, porém “Tiradentes” encontrava-se na casa de seu amigo Domingos Fernandes da Cruz, na cidade do Rio de Janeiro, onde, no dia 10 de maio de 1789, foi preso e ficou incomunicável por aproximadamente três anos e, nesse período, só foi visitado por seu confessor, o padre Raimundo Penaforte. No dia 18 de abril de 1792, foi proferida a sentença dos cinco réus padres, e no dia 19, dos demais conjurados.

A sentença contra “Tiradentes”

A Tiradentes foi proferida a seguinte sentença: “Portanto, condenam ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da capitania de Minas, a que, com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde em lugar mais público dela, será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma; e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregado em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também os consuma. Declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo os seus bens aplicados para o Fisco e Câmara Real e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada para que nunca mais no chão se edifique.”

No dia 21 de abril de 1792, às 9h, inicia o triste cortejo: À frente uma Companhia de Soldados, depois os frades dizendo orações e em seguida “Tiradentes”, o laço da forca no pescoço e a ponta da corda segura pelo carrasco, e quase abraçado ao condenado, Frei Penaforte reza com ele. Descalço, com o cabelo todo raspado e sem barba, vestido com uma camisola branca, Tiradentes seguia de cabeça erguida, porte ereto e passo firme a marcha para a forca, construída no Lago da Lampadosa (Atual Praça Tiradentes) onde, às 11h20, foi enforcado.

Frei Raimundo Penaforte, o confessor, escreveu o seguinte sobre Tiradentes:

“Foi um daqueles indivíduos da espécie humana que põem em espanto a própria natureza. Entusiasta, empreendedor com o fogo de um D. Quixote, habilidoso com um desinteresse filosófico, afoito e destemido, sem prudência às vezes, em outras temeroso ao cair de uma folha; mas o seu coração era sensível ao bem. A Coroa quisera, com o espetáculo do enforcamento, afirmar o seu domínio sobre a colônia brasileira. “Tiradentes” tentara, com o sacrifício, salvar os companheiros e abrir ao povo o caminho da emancipação política. Um espírito inquieto, um homem leal, esse Alferes Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha “Tiradentes” – Herói sem medo de todo um povo”.

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