Rio Branco, Acre,





Estudantes de Psicologia debatem direitos e saúde mental da mulher com base no Conto da Aia


"O mote de cada episódio mostrado serve para fazer um debate, para articularmos com o que vem acontecimento no Brasil"

LAMLID NOBRE, DO CONTILNET

A série fictícia “O Conto da Aia”, que trata de uma distopia sobre um futuro em que mulheres são tratadas como meras barrigas de aluguel de um Estado teocrático fundamentalista, está servindo como mote para que estudantes do Curso de Psicologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) realizem debates acerca da situação de direitos e saúde mental da mulher no atual contexto sociopolítico do Brasil.

“A saúde mental das mulheres anda muito abalada. Na hora em que a saúde mental tem relação direta com a condição de vida, com a situação de trabalho,  com as políticas públicas que as mulheres poderiam ter acesso e esses elementos não estão se realizando da forma necessária, isso tem impacto direto na saúde mental e as mulheres começam a adoecer pela fata de um conjunto de fatores que deveriam propiciar saúde e, principalmente, numa sociedade patriarcal onde as mulheres tem um acumulo de opressões, violências e exploração do seu trabalho, das suas capacidades emocionais e intelectuais.”, relacionou a coordenadora do Projeto de Extensão e professora do curso, a psicóloga Madge Porto.

O objetivo, segundo ela, é, então, propiciar um debate sobre a situação no contexto dos dias atuais, a partir do que é retratado na série que se passa num futuro de uma sociedade fundamentalista cristã na qual as mulheres tem a total perda de seus direitos associado a uma intensa violência e sofrimento. “O mote de cada episódio mostrado serve para fazer um debate, para articularmos com o que vem acontecimento no Brasil, onde as ações caminham no sentido do que a série apresenta, tem muito de atual e estamos aproveitando o quanto a arte mobiliza as emoções e a reflexão para pensarmos a situação das mulheres no nosso país.”, completou a professora.

Em pleno 2018, as mulheres ainda tratadas como inferiores e a realidade é o feminicídio, a misoginia, mulheres que não conseguem emprego porque tem filhos,  mulheres que recebem menos que os homens,  mulheres que são as primeiras a serem demitidas, mulheres que morrem porque o ex-companheiro descumpriu a medida protetiva,  mulheres que morrem antes da medida protetiva, mulheres que desenvolvem o trabalho acadêmico mas quem leva o crédito é o colega homem, mulheres que são desacreditadas por conta da roupa, do cabelo, da maquiagem.

Madge Porto, destacou que a iniciativa é dos alunos e alunas do curso. “Foram elas e eles que construíram o projeto, organizam, se preparam, exibem os episódios e depois o debatem. Ter a oportunidade de ter um grupo de alunos e alunas se mobilizando, mostra que a nossa juventude está querendo pensar, está querendo refletir. Isso é muito importante”, ressaltou.

O projeto que vem debatendo tais questões com base na série, teve início no ano passado e consiste na exibição dos episódios do “O Conto da Aia”, seguida do debate, sempre às quarta-feiras, das 19h às 21 horas, no bloco Edilberto Parigot, do Curso de Psicologia no Campus da Ufac. Em 2018 foram exibidos os 10 episódios da primeira temporada. E esse ano, serão os 13 episódios da segunda temporada. Nesta quarta-feira (24) será o segundo de 2019.

 

Sobre a série

“Imagine ter um trabalho, uma família, filhos, sua casa… E de repente, seus olhos não importam, nem seus braços ou pernas. Livros e revistas, conhecimento, saber ler, quem se importa? Sonhos, desejos, amor, carinho? Nada disso importa, nada disso existe mais. Você agora é propriedade do Estado. Laranja não tem família nem emprego, café também não tem, nem o petróleo… E, agora, nem as mulheres. Não interessa uma mulher inteligente, não interessa uma mulher independente, não interessa que uma mulher tenha as habilidades comuns aos seres humanos. Dela só interessa o que os outros não tem: um útero funcional. Mas, ops, agora eles têm, porque são donos dessa mulher, donos dessa massa orgânica que, por acaso, contem um útero fértil. Louvemos ao Senhor.”

Série The Handmaid’s Tale é baseada no livro da escritora canadense Margaret Atwood,

The Handsmaid’s Tale (O Conto da Aia, em português) é uma série baseada no livro homônimo da escritora canadense Margaret Atwood, produzida pela MGM e exibida pelo serviço de streaming Hulu. Em janeiro de 2018, a série venceu o Globo de Ouro por Melhor Série de Drama e Elisabeth Moss, atriz que interpreta a protagonista da série, venceu na categoria Melhor Atriz de Série de Drama.

Na série, os problemas climáticos e a poluição tornaram a maioria das mulheres do planeta inférteis e os bebês extremamente sensíveis, diminuindo drasticamente a taxa de natalidade e ameaçando a continuidade das populações do mundo como conhecemos. Em paralelo a isso, grupos conservadores religiosos tem cada vez mais adeptos em todo os Estados Unidos, sendo cada vez mais influentes no governo, até que conseguem dar um golpe na Casa Branca.

O grupo que assume o poder conta com um forte braço armado para controlar as saídas e entradas das cidades dos EUA e as fronteiras internacionais, e sua hierarquia é organizada quase que militarmente, sendo a elite dessa sociedade composta pelos comandantes da nação (homens que desempenham funções equivalentes a governadores e ministros) e suas esposas e parentes. Ao tomar o poder, os direitos das mulheres são imediatamente cortados, incluindo o direito à propriedade — que é um dos pilares da constituição americana. Assim, tudo o que pertence às mulheres é transferido ao parente masculino mais próximo.

Sem ter como se sustentar, as mulheres são perseguidas, tiradas de suas casas e famílias, separadas de seus filhos e cônjuges e levadas a centros de treinamento ou campos de concentração. LGBTs e membros de movimentos de resistência são enviados a campos de trabalho forçado ou mortos. As mulheres inférteis se tornam empregadas domésticas (chamadas de Marthas) e as mulheres férteis e/ou que já tiveram filhos são enviadas aos chamados Centros Vermelhos, onde sofrem uma lavagem cerebral para se tornarem aias (barrigas de aluguel) para as famílias de elite.

Com informações: A Medium Corporation

 

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