Rio Branco, Acre,





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Pimenta no Reino

Durante CPI da Energisa, Nicolau esquece parentesco com governador ao agir como estadista


O jovem, parlamentar em segundo mandato, sem grandes experiências, ele demonstrou sensatez e segurança, ouvindo todos os lados em disputa

Foto capa TIÃO MAIA, DO CONTILNET

Em nome do pai

Embora criticada em nível local e nacional, talvez até internacional – posto que a ONG Greenpeace o elegeu como devastador, a política ambiental do senador acreano Márcio Bittar (MDB) acaba de ganhar dois defensores de peso. Além do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quem acaba de formar com o senador do Acre é ninguém menos que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), primeiro filho ou o zero 1 do presidente Jair Bolsonaro. Os dois se reuniram com Bittar esta semana em Brasília para lhe hipotecar solidariedade em relação ao projeto de sua autoria que altera o Código Florestal e eleva o desmatamento de propriedades rurais dos atuais 20 por cento para cem por cento, eliminando os 80 por cento da chamada reserva legal.

Esgoto in natura

A chamada reserva legal para propriedades privadas na Amazônia, prevista na atual legislação, é um legado da passagem de Jorge Viana pelo Senado. Engenheiro florestal e cultor das ideias de Chico Mendes, o sindicalista assassinado em 1998 por sua postura radical em defesa da floresta, Jorge Viana, ao lado da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, conseguiram colocar o Acre na agenda internacional como o território do mundo onde mais se preservou a floresta. É dele a autoria de que 80 por cento das propriedades amazônicas são intocáveis. É exatamente neste ponto em que Márcio Bittar bate. Segundo o senador, enquanto os seguidores de Chico Mendes colocavam o Acre na agenda mundial, não conseguiram arborizar, por exemplo, a cidade de Rio Branco e, o que é pior, quando trabalharam obras físicas, como no chamado Parque da Maternidade, canalizaram dejetos in natura para o leito do rio Acre.

Florestania, o fiasco

Márcio Bittar, a despeito das críticas que vem recebendo, reivindica para si o título de o verdadeiro ambientalista do Acre por defender, por exemplo, estudos que possam resolver, de uma vez por todas, os problemas do rio Acre. De acordo com o senador, o rio apresenta dois problemas: as cheias e as vazantes. Em mais de 30 anos em que estiveram no poder, desde a Prefeitura de Rio Branco, os chamados defensores da florestania – leia-se Marina, Jorge, Tião e Jorge Viana – nunca apresentaram um estudo para resolver o problema que consome, anualmente, milhões de reais e que não tem nenhuma perspectiva de solução. Bittar quer resolver o problema, tem dito.

Terra de Chico Mendes

À primeira vista, no embate com os ambientalistas do passado, a quem acusa de terem levado o Acre à regressão de cem anos por tornarem a economia local baseada no extrativismo e no recolhimento de sementes da floresta, Márcio Bittar vem conseguindo vencer os primeiros minutos da queda de braço. Por isso, em maio, quem vem ao Acre é o ministro Ricardo Salles, do meio Ambiente. Ele vem exatamente à terra de Chico Mendes, cujo legado sua excelência ministerial desconhece solenemente. Vai ser um confronto e tanto.

Suicídio de Alan Garcia

A morte, por suicídio, do ex-presidente peruano Alan Garcia (foto), na manhã desta quarta-feira (17), em Lima, chocou o mundo político na América do Sul e do mundo. O político peruano, de 69 anos, atirou contra a própria cabeça – agonizou por três horas seguidas num hospital de Lima – ao saber que corria o risco de ser preso acusado de envolvimento com corrupção da construtora brasileira Norberto Odebrecht. A empresa brasileira era a principal empresa em atuação naquele país fazia mais de duas décadas e teria pago propinas milionárias a Alan Garcia, que passa a ser o primeiro político a se matar por envolvimento no escândalo, um dos maiores do gênero, ao redor do mundo.

Garcia esteve no Acre, em 1986, na condição de presidente peruano para se encontrar com o então presidente José Sarney, em território brasileiro. Era, de acordo com políticos locais, um homem muito cortês e atencioso em relação aos pleitos de políticos acreanos.

Se a moda pega…

Se a moda de políticos envolvidos com a corrupção da empresa Odebrecht se suicidarem, no Brasil as empresas funerárias fariam a festa. O tal Departamento de Operações Estruturadas – seja lá o que isso signifique – da Odebrecht foi montado, única e exclusivamente, para corromper políticos. E agora se percebe que não só no Brasil, mas em todos os países nos quais a empresa atuava. Corrupção à brasileira.

Impeachment

Já em Brasília, a moda é pedidos de impeachment. Além dos pedidos de impeachment dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, Dias Toffolli e Alexandro Moraes, os pedidos agora se voltam para o executivo. O deputado federal Marcos Feliciano (Podemos-SP), que também já andou pelo Acre a reboque da ex-deputada acreana Antônia Lúcia, apresentou nesta quarta-feira (17) pedido de impeachment contra o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB).

Na peça protocolada na Câmara dos Deputados, Feliciano argumenta que há “deslealdade” de Mourão em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), supostamente provocada por declarações do vice em sentido contrário ao que defende o titular. Isso, segundo o deputado-pastor, pode ser enquadrado como crime de responsabilidade.

Sem interesse em impeachment

Por aqui, o vice-governador Wherles Rocha (PSDB), que está no exercício do governo, diz que não passam de especulações as informações de que ele teria interesse na vacância, pro qualquer motivo, do cargo em relação ao governador Gladson Cameli (Progressistas). Segundo Rocha, o fracasso de Gladson Cameli também seria o dele e de todo o Acre. Afirmou-me – num encontro que tivemos na manhã desta quarta-feira (17), no gabinete do governador – que se Gladson Cameli decidir-se ser candidato à reeleição, ele não repetiria a condição de candidato a vice e disputaria outro mandato, possivelmente o de senador, mesmo que a próxima eleição traga apenas uma vaga para o cargo. “Vou torcer para que ele arranje um vice que o ajude com a mesma disposição que eu tenho para ajudá-lo à governar e fazer o melhor pelo Acre”, disse-me.

Rocha 2022

Rocha também diz que está disposto a encarar concorrer ao governo em 2022 caso o governador Gladson Cameli não seja candidato à reeleição e resolva apoiá-lo. “Se ele e os outros segmentos do governo e das forças que nos trouxeram ao governo me apoiarem, estou pronto para o embate”, disse. “Não tenho medo do futuro”, acrescentou, com a licença poética da frase.

Socorro Neri candidata

Em Rio Branco, fica cada dia mais claro que a atual prefeita Socorro Neri (PSB) deve encarar a disputa pela reeleição. Suas posições em defesa da própria dignidade e de sua administração, inclusive nas redes sociais, o que revela que sua condição de fragilidade é só aparência, mostram que ela pode vir a entrar no jogo da disputa da própria sucessão. E outro aspecto revelador: sua cada vez mais forte ligação com o secretário municipal de educação, professor Moisés Diniz, ex-deputado estadual e federal, ligado ao PC do B, mostra que pode surgir aí uma chapa para a disputa.

Santo e milagre

O problema é que Moisés Diniz é um militante orgânico do PC do B. O PT passa a demonstrar que deve fechar com o PC do B com numa disputa de porrinha de “marraia”, que deve ter candidato próprio. Isso significa que Socorro Neri poderia ter que concorrer em faixa própria e Moisés Diniz seria o santo e o milagre. O problema é que ele precisaria deixar o PC do B. Há quem aposte que isso vai acontecer.

Ventos favoráveis?

Procurador de Justiça, Wilians João Silva, depois de ter pedido aposentadoria, por ter tempo e serviços prestados, desistiu da ideia e voltou às atividades. Motivo: tiraram-lhe vantagens e direitos antes de aposentadoria se concretizar, como a demissão de seus funcionários no gabinete. Que se registre: o clima no MPAC (Ministério Público do Estado do Acre), sob a administração da procuradora Kátia Rejane Araújo, é de péssima qualidade. Não há ventos favoráveis para quem não sabe aonde vai, diz a literatura.

Estadista

O episódio do lengalenga envolvendo a CPI da Energisa, na briga sobre a aprovação ou não da CPI da Energia ou da Energia – como queiram -, que se arrastou por mais de uma semana, o que restou comprovado é que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nicolau Júnior (Progressistas), se saiu muito bem na condução dos trabalhos. Jovem, parlamentar em segundo mandato, sem grandes experiências, ele demonstrou sensatez e segurança, ouvindo todos os lados em disputa, e fez o correto: cumprir o regimento e colocar a casa para funcionar. Cunhado do governador e aliado, poderia ter atravancado as coisas, o que também seria legal, mas preferiu agir como estadista e passou a angariar respeitos, inclusive da oposição.

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